SERVIDORA DA POLÍCIA CIVIL É PRESA SUSPEITA DE DESVIAR MAIS DE 200 ARMAS EM BELO HORIZONTE
Corregedoria investiga sumiço de arsenal da 1ª Delegacia do Barreiro e apura possível esquema interno
Uma servidora administrativa da Polícia Civil de Minas Gerais foi presa nesta segunda-feira (10) suspeita de desviar entre 200 e 220 armas de fogo que estavam sob custódia da 1ª Delegacia de Polícia do Barreiro, em Belo Horizonte. A investigação, conduzida pela Corregedoria-Geral da instituição, aponta que o desaparecimento do arsenal pode ter ocorrido por meio de um esquema interno.
O caso veio à tona após uma arma apreendida pela polícia ser encontrada novamente em circulação durante uma ocorrência em Contagem, na Região Metropolitana. Ao verificar o número de série no sistema, os agentes descobriram que o armamento deveria estar guardado na delegacia do Barreiro. Uma conferência interna revelou o sumiço em grande escala das armas.
A servidora, identificada como Vanessa de Lima Figueiredo, foi presa em Belo Horizonte após a emissão de um mandado judicial. Buscas foram realizadas em sua residência e na casa de sua mãe, no bairro Salgado Filho. Segundo a Corregedoria, ela era a única pessoa com acesso direto à sala onde o armamento era armazenado. Testemunhas relataram ainda que a suspeita apresentava sinais de enriquecimento incompatíveis com seu cargo.
Durante a perícia, não foram encontrados sinais de arrombamento na delegacia, o que reforça a hipótese de envolvimento interno. A servidora foi encaminhada ao sistema prisional e responderá pelos crimes de peculato e extravio de arma de fogo, previstos no Código Penal e no Estatuto do Desarmamento.
Em nota, a Polícia Civil confirmou a abertura de inquérito e de um processo administrativo para apurar as responsabilidades. O delegado-geral Rômulo Guimarães Dias afirmou que, até o momento, não há indícios de envolvimento de organizações criminosas e que a maioria das armas era de baixo calibre ou obsoleta.
O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol-MG) cobrou a criação de uma central de custódia de armas e provas, prevista na Lei Anticrime, como forma de evitar casos semelhantes.
A descoberta do desvio gerou forte repercussão dentro da corporação e entre especialistas em segurança pública, que apontam falhas graves na gestão do acervo e riscos para a segurança da população.
O caso segue sob sigilo. Materiais apreendidos, como registros de acesso, cartões de memória e documentos internos, estão sendo analisados pela perícia. A Polícia Civil informou que novas diligências serão realizadas para rastrear o destino das armas e identificar possíveis cúmplices.




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