Novo salário mínimo de 2026 será de R$ 1.621 e impactará benefícios, direitos trabalhistas e contribuições
Reajuste de 6,79% altera valores do INSS, seguro-desemprego, PIS/Pasep, BPC/Loas, indenizações judiciais e contribuição do MEI
O salário mínimo nacional em 2026 será de R$ 1.621, conforme anunciado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. O novo valor representa um aumento de R$ 103 em relação ao piso atual, equivalente a um reajuste de 6,79%. A quantia ficou abaixo da estimativa inicial do governo, que projetava R$ 1.627, reflexo da inflação mais baixa que o previsto.
O cálculo segue a regra que combina o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses — que ficou em 4,18% — com o crescimento do PIB de dois anos antes. Apesar de o PIB de 2024 ter crescido 3,4%, o impacto é limitado a 2,5% pelo novo arcabouço fiscal. Somados esses fatores e aplicado o arredondamento, o valor final chegou a R$ 1.621.
O novo piso terá efeitos diretos em diversos benefícios e pagamentos atrelados ao mínimo. Veja o que muda:
INSS
Dos 40,7 milhões de benefícios pagos pelo INSS, 28,5 milhões são de até um salário mínimo e passarão automaticamente para R$ 1.621 a partir da folha de janeiro. Já os segurados que ganham acima do piso terão reajuste apenas pela inflação, índice que será divulgado em janeiro.
Abono PIS/Pasep
O valor máximo do abono, pago a quem trabalhou o ano-base completo, também passará a ser de R$ 1.621. A partir de 2026, entram em vigor novas regras definidas em uma PEC aprovada no fim de 2024, que muda o critério de renda. O limite de dois salários mínimos passa a ser corrigido pela inflação, tomando como base os R$ 2.640 vigentes em 2023. Para 2026, esse teto será de R$ 2.765,92.
BPC/Loas
O pagamento do Benefício de Prestação Continuada será de R$ 1.621. A renda familiar por pessoa para acessar o benefício será inferior a R$ 405,25 (25% do novo mínimo). Em situações específicas previstas em lei, famílias com renda de até meio salário mínimo podem se enquadrar.
Seguro-desemprego
A parcela mínima do seguro-desemprego também sobe para R$ 1.621, já que ninguém pode receber menos que o piso. Os valores superiores e o teto serão divulgados em janeiro.
Indenizações judiciais
O teto das ações nos Juizados Especiais Federais sobe de R$ 91.080 para R$ 97.260, respeitando o limite de 60 salários mínimos. Nos Juizados Especiais Cíveis, que trabalham com indenizações de até 40 salários mínimos, o valor máximo passa de R$ 60.720 para R$ 64.840.
MEI
A contribuição mensal do microempreendedor individual, que corresponde a 5% do salário mínimo, será reajustada de R$ 75,90 para R$ 81,05 em 2026. Além disso, os valores fixos de ICMS (R$ 1) e ISS (R$ 5) continuam sendo acrescidos conforme o tipo de atividade.
O novo piso salarial traz impactos amplos e imediatos na vida de trabalhadores, aposentados, segurados, beneficiários assistenciais e empreendedores, ajustando valores e referências em praticamente todas as áreas vinculadas ao salário mínimo no país.



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