Quaresma começa após o Carnaval e convida à reflexão, jejum e caridade
Período iniciado na Quarta-feira de Cinzas segue até 2 de abril e propõe mudanças espirituais e também nos hábitos à mesa
Com o fim do Carnaval em 18 de fevereiro, tem início um dos períodos mais importantes do calendário cristão: a Quaresma. Em 2026, ela começou na Quarta-feira de Cinzas (18) e se estende até 2 de abril, antecedendo a celebração da Páscoa.
Vivida ao longo de cerca de 40 dias — número simbólico que remete ao tempo em que Jesus permaneceu no deserto em oração e jejum —, a Quaresma é tradicionalmente marcada por práticas de oração, jejum e caridade entre os católicos. Embora o intervalo no calendário seja maior, os domingos não entram na contagem oficial, pois são considerados celebrações da ressurreição.
Mais do que um conjunto rígido de regras, o período é entendido como convite à conversão pessoal e à renovação espiritual. O Direito Canônico estabelece orientações como o jejum obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa para fiéis entre 18 e 59 anos, além da abstinência de carne às sextas-feiras da Quaresma a partir dos 14 anos, com exceções para casos específicos.
Segundo o padre Clésio dos Santos, da Reitoria do Carmo, em Vitória (ES), os três pilares — jejum, oração e esmola — precisam caminhar juntos. Ele destaca que o jejum vai além da alimentação e envolve rever excessos e hábitos prejudiciais. Já a caridade deve ser consequência prática da renúncia, transformando economia pessoal em ajuda ao próximo.
A Quarta-feira de Cinzas simboliza a disposição de mudança e ruptura com excessos. Para o sacerdote, a Quaresma não é um tempo de tristeza, mas de crescimento interior.
Na mensagem para a Quaresma de 2026, o Papa Leão XIV reforçou a importância do recolhimento e propôs também o “jejum da linguagem”, incentivando a redução de palavras ofensivas e discursos agressivos. Em meio à rotina acelerada e à polarização, o período convida à escuta, ao silêncio e à reconexão com valores espirituais.




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