Licença-paternidade ampliada será implantada gradualmente e chegará a 20 dias até 2029
Nova lei cria salário-paternidade, amplia acesso ao benefício e prevê regras de transição a partir de 2027
A ampliação da licença-paternidade no Brasil, sancionada nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não terá aplicação imediata. A nova legislação prevê um período de transição e estabelece que o benefício será ampliado de forma progressiva até atingir 20 dias em 2029.
Atualmente fixada em cinco dias, a licença começará a ser estendida a partir de 1º de janeiro de 2027, quando passará para 10 dias. Em 2028, o prazo será de 15 dias, chegando ao limite de 20 dias apenas em 2029. Até lá, permanece válida a regra atual.
A lei também institui o chamado salário-paternidade, que passa a integrar a Previdência Social. Na prática, o trabalhador continuará recebendo normalmente durante o afastamento, com o valor sendo posteriormente ressarcido ao empregador pelo INSS.
Outra mudança importante é a ampliação do acesso ao benefício. Além dos trabalhadores com carteira assinada, passam a ter direito autônomos, empregados domésticos, microempreendedores individuais (MEIs) e demais segurados da Previdência.
O texto ainda prevê situações específicas em que a licença pode ser estendida, como em casos de falecimento da mãe, adoção individual, nascimento de criança com deficiência ou internação hospitalar. Por outro lado, o benefício poderá ser negado em situações como abandono material ou violência doméstica.
A legislação também garante estabilidade no emprego durante o período de afastamento e por até 30 dias após o retorno. Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã poderão ampliar ainda mais o prazo.
Considerada uma demanda discutida há décadas, a medida representa um avanço na valorização da paternidade e no incentivo à participação dos pais nos cuidados com os filhos, embora especialistas apontem que ainda há espaço para avanços no país.



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